HOMENAGEM AO PROF. GIUSEPPE TOSI
O Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos, Cidadania e Políticas Públicas convida para a Aula Magna: “Políticas Públicas de Resistência: Diálogos Sobre o Avanço dos Discursos de Ódio e do Neofascismo no Brasil”, atividade de abertura do semestre 2025.1. A aula será ministrada pelo Secretário Nacional de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Dr. Marivaldo Pereira, no dia 16/04 (quarta-feira), às 14h30, no Auditório da Central de Aulas da UFPB.
Logo após a aula magna, o PPGDH realizará uma homenagem ao Prof. Dr. Giuseppe Tosi, professor titular aposentado, fundador e ex-coordenador do NCDH e do PPGDH. Convidamos toda a comunidade para participar evento, que já está com as inscrições abertas no SigEventos (link na bio). Esperamos você lá!
Acessar aula
DIARIO DA ITA LIA ou DIARIO ITALIANO
Carissimi amici
Eu e Inez, acompanhados por nossa filha Jussara e a nossa amiga Valda, chegamos na Ita lia no dia 4 de março depois de uma viagem longa e cansativa e nos instalamos na cidade e na casa onde nasci. Ainda na o havia começado a primavera e o tempo estava frio: dos 30 graus de Joa o Pessoa, passamos aos 3 graus de Busto Arsizio minha cidade natal. A casa havia sido reformada e o quarto de dormida e o banheiro foram colocados no te rreo para poupar as escadas a Inez. Estou escrevendo esse texto para compartilhar com vcs minhas impresso es sobre a Ita lia e a conjuntura polí tica vista desta parte do mundo, escrever uma forma de dia rio com periodicidade varia vel dependendo das circunsta ncias para me sentir menos sozinho. No Brasil, onde vivi intensamente mais de 40 anos, me sinto uma pessoa conhecida e reconhecida, aqui me sinto um estranho apesar de viver na cidade onde nasci e de ter perto familiares e amigos. Estamos vivendo o perí odo mais difí cil da nossa vida, mas na o vou tratar dos meus problemas pessoais, embora seja inevita vel uma refere ncia ao contexto social de onde escrevo, mas abrir um debate sobre temas da atualidade, sobretudo polí tica. Vai ser uma tentativa para aliviar o meu cotidiano e me relacionar com as pessoas: quase uma forma de terapia. Uma maneira tambe m de matar a saudade imensa que sinto das pessoas e dos lugares do Brasil onde vivi grande parte da minha existe ncia. Começo logo com algumas impresso es dos primeiros dias: estou vivendo em uma sociedade de velhos e doentes, com uma taxa de natalidade entre as mais baixas do mundo, que precisa dos migrantes para fazer os trabalhos mais humildes e pesados e viabilizar o sistema de seguridade social, mas as pessoas te m medo deles, tem medo do que a direita chama de “substituiça o e tnica”: os italianos te m medo de que os muçulmanos, que fazem mais filhos, tomem conta da Ita lia, e sobre isso a extrema direita ganha as eleiço es. E tambe m uma sociedade sempre mais desigual, onde aumenta a pobreza e o sistema do estado social e sempre mais preca rio. Mas a primeira impressa o e de uma sociedade opulenta, rica, se olharmos os milhares de carros e carro es de luxo: o meu vizinho que e pedreiro da construça o civil tem um BMW...O carro, que aqui se chama simplesmente de “macchina”, ou seja, a ma quina por antonoma sia, e um sí mbolo de status. As pessoas esta o preocupadas com o desgaste do sistema pu blico de seguridade social, sobretudo a sau de e a educaça o, e com os sala rios baixos; mas o grande medo e a guerra: na o se fala de outra coisa todos os dias nos meios de comunicaça o social, mostrando detalhadamente as imagens da destruiça o. E um medo real porque a guerra esta no coraça o da Europa depois de 80 anos de relativa 1 paz, bem-estar e democracia liberal...tre s conquistas que esta o ameaçadas e sobre as quais podemos conversar no site. As geraço es que nasceram depois de segunda guerra mundial na o conheceram a guerra: e isso aconteceu pela primeira vez na histo ria da Europa: e a 1ª vez que a Europa vive um perí odo de mais de 80 anos de paz. Durante milhares de anos sempre houve guerras e a guerra era considerada como um destino inevita vel algo que ia acontecer “mais cedo o mais tarde”. Hoje, se explodisse uma guerra, os jovens na o estariam preparados a enfrenta-la a diferença das ditaduras como a Ru ssia onde o regime impo e a convocaça o compulso ria de milhares de jovens. Nesses tre s anos de guerra na Ucrania (sem contar os anos precedentes desde 2014) foram centenas de milhares os militares e os civis que morreram ou ficaram feridas na guerra e milhares as infraestruturas que foram destruí das: uma guerra que na o se ve o fim, e que pode transbordar dos confins atuais. E sobre este tema que vou abrir o primeiro debate com o texto “na o recomeçamos a guerra de Troia”. E uma tentativa de entender “as razo es da guerra”, porque existem as guerras e se sempre existira o. Anexo o texto que esta disponí vel no site: giuseppetosi.com.br na primeira pa gina e na secça o dedicada a “guerra e paz nas relações internacionais (03.5)”: abaixo do tí tulo esta o lugar para o debate no qual cada um pode colocar as suas opinio es e “participar da discussa o”. Participem se estiveram interessados e divulguem o texto: e um primeiro teste.
Abraços
Giuseppe Tosi
Busto Arsizio Itália 01/04/ 2025